Hoje foi o dia mais febril do meu mês e eu só queria ser abraçada pelo mundo inteiro.
Sobraram 15 minutos, fumei dois cigarros, conversei com todo mundo pra ver se alguém me dava um pouco mais de atenção e fui embora com o coração apertado.
Pedia mais, muito mais. De repente os diálogos sobre arte, música e história não faziam o menor sentido.
Pra que tanta educação?
Tem dias em que a gente se esquece de que é bom ser inteligente e fica lá, no meio de todo mundo, esperando alguém olhar e dizer "é você".
Sem retóricas, sem rodeios: é você.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Pra não dizer que não fugi
Disfarcei, desviei os olhos do olhar acusador do inimigo, pensei nas latas de tinta que foram usadas pra deixar a cor daquela parede tão uniforme. Tentei tirar da mira, da cabeça, do coração, da agenda, e me vi sentada três horas depois, tomando seis drinques antes de encarar o telefone. Fraquejei, tremi, temi e percebi que doía um pouco.
Me causa dor física, tensão, deixa a pressão lá em cima quando não pára de olhar. E eu não posso evitar, mesmo que queira não corar ou correr por aí, repetindo alguma frase banal.
- Ele não. Ele não. Ele não!
Ele não, porque eu sei que pra ele não sou eu. É ela, é mais outra, é aquela lá. Às vezes é uma versão de mim. Alguém muito mais interessante, sem essa expressão de felino rejeitado tatuada no rosto. Alguém que não vaga pela vizinhança. Esse meu eu independente que só existe na memória dele. Perdi o controle.
Marisa Monte cantou, Chico Buarque consentiu e eu não quis aceitar. Meu coração é um músculo involuntário - e ele pulsa por você.
Me causa dor física, tensão, deixa a pressão lá em cima quando não pára de olhar. E eu não posso evitar, mesmo que queira não corar ou correr por aí, repetindo alguma frase banal.
- Ele não. Ele não. Ele não!
Ele não, porque eu sei que pra ele não sou eu. É ela, é mais outra, é aquela lá. Às vezes é uma versão de mim. Alguém muito mais interessante, sem essa expressão de felino rejeitado tatuada no rosto. Alguém que não vaga pela vizinhança. Esse meu eu independente que só existe na memória dele. Perdi o controle.
Marisa Monte cantou, Chico Buarque consentiu e eu não quis aceitar. Meu coração é um músculo involuntário - e ele pulsa por você.
domingo, 15 de agosto de 2010
Agosto
"Para atravessar agosto é preciso, antes de tudo, paciência e fé. (...) Ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu - sem o menor pudor, invente um."
Caio F.
Caio F.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Corante
Eu queria escrever sobre o que eu sinto agora, mas parece que tudo o que poderia sair de mim, já saiu de Rodrigo Amarante ou Marcelo Camelo. É por isso que eu me afundo em Los Hermanos, cigarros e drinks desconhecidos. É por isso que eu tomo tanto chá de limão e tenho vontade de ficar lá fora, sentada no escuro, seguindo cada linha da sombra que a árvore seca faz na calçada. É o meu motivo pra dizer sim pra tudo, esperando que alguma eventualidade preencha essa falta de alguma coisa que eu só desconfio saber o que é, ou orando pra que alguém diga o que realmente sente, sem rodeios, porque fazer isso já tem me saturado o bastante.
Eu encontro arte nas manchas coloridas que as luzes dos postes e faróis fazem no asfalto molhado e no jeito das pessoas de rir. Especialmente nos meus sorrisos preferidos, aqueles tão forçados que dão rugas ao lado dos olhos. Eu procuro coisas pra me emocionar porque eu já não sei mais no que pensar. Eu costumava usar a mente pra produzir essas cenas que me congelavam o coração, mas acabei prometendo nunca mais fazer isso. Acho que pra não me desapontar, me apoiar mais na verdade ou algo assim. Não sabia que o resultado seria ficar por aí criando arte. Não é arte que me falta. É alguma coisa parecida, mas não é arte. É aquela droga de sensação que faz toda noite parecer uma cena de Jean-Pierre Jeunet. Aquele sentimento estranho que deixa as coisas mais lentas, mais laranjas, mais distorcidas.
Estou tão certa de estar longe de todas as respostas que a minha cor do momento é branco. Faltou corante.
Eu encontro arte nas manchas coloridas que as luzes dos postes e faróis fazem no asfalto molhado e no jeito das pessoas de rir. Especialmente nos meus sorrisos preferidos, aqueles tão forçados que dão rugas ao lado dos olhos. Eu procuro coisas pra me emocionar porque eu já não sei mais no que pensar. Eu costumava usar a mente pra produzir essas cenas que me congelavam o coração, mas acabei prometendo nunca mais fazer isso. Acho que pra não me desapontar, me apoiar mais na verdade ou algo assim. Não sabia que o resultado seria ficar por aí criando arte. Não é arte que me falta. É alguma coisa parecida, mas não é arte. É aquela droga de sensação que faz toda noite parecer uma cena de Jean-Pierre Jeunet. Aquele sentimento estranho que deixa as coisas mais lentas, mais laranjas, mais distorcidas.
Estou tão certa de estar longe de todas as respostas que a minha cor do momento é branco. Faltou corante.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Cotidiano
O sol foi surgindo gradualmente e os meus olhos passaram a se comprimir na mesma medida. Era o peso da luz acordando o meu sono.
Observei as cortinas que eram movidas pelo vento que apagava a fumaça saída da tua xícara e o som uniforme dos grilos foi se esgotando. Me lembrei de como costumava reproduzir esse mesmo som quando o silêncio se instalava depois de uma das suas perguntas impetuosas. Mas pela manhã a calma impera.
Eu me sentia tão esmagada que meus ossos gritavam por socorro, mas apesar de parecer que eu havia corrido uma maratona a minha dor não havia sido causada pelo esforço físico. Era uma dor prazerosa. Era felicidade, porque eu sobrevivi à mais uma noite com você, fazendo com que pela manhã só restasse a tua voz rouca, vencida pelo cansaço, e duas mãos inquietas que se movimentavam num esforço inútil, tentando explicar o inexplicável. Acho que Wayne Coyne estava com a razão no rádio do táxi que me levou até você pela primeira vez. Cheguei a pensar que todos os poemas, padrões e raças cujo mundo foi tragado pelo mar, de Neil Gaiman, não faziam o menor sentido porque você deixava o mundo todo azul-celeste quando torcia os lábios, lutando contra o seu melhor sorriso: o que teima em se abrir quando me chama pelo nome.
O sol brilhou mais forte e meus olhos se fecharam por alguns segundos. Sua respiração se tornou mais pesada e próxima. Perto de você o planeta é uma pequena ilha.
E assim se passou um quarto da manhã.
Observei as cortinas que eram movidas pelo vento que apagava a fumaça saída da tua xícara e o som uniforme dos grilos foi se esgotando. Me lembrei de como costumava reproduzir esse mesmo som quando o silêncio se instalava depois de uma das suas perguntas impetuosas. Mas pela manhã a calma impera.
Eu me sentia tão esmagada que meus ossos gritavam por socorro, mas apesar de parecer que eu havia corrido uma maratona a minha dor não havia sido causada pelo esforço físico. Era uma dor prazerosa. Era felicidade, porque eu sobrevivi à mais uma noite com você, fazendo com que pela manhã só restasse a tua voz rouca, vencida pelo cansaço, e duas mãos inquietas que se movimentavam num esforço inútil, tentando explicar o inexplicável. Acho que Wayne Coyne estava com a razão no rádio do táxi que me levou até você pela primeira vez. Cheguei a pensar que todos os poemas, padrões e raças cujo mundo foi tragado pelo mar, de Neil Gaiman, não faziam o menor sentido porque você deixava o mundo todo azul-celeste quando torcia os lábios, lutando contra o seu melhor sorriso: o que teima em se abrir quando me chama pelo nome.
O sol brilhou mais forte e meus olhos se fecharam por alguns segundos. Sua respiração se tornou mais pesada e próxima. Perto de você o planeta é uma pequena ilha.
E assim se passou um quarto da manhã.
domingo, 11 de julho de 2010
Dois
(Foto Ela usou o vestido como se fosse sábado, como se fosse verão, como se tivesse recebido flores pela manhã.
Ele segurou as mãos dela como se fossem um mistério e achou difícil acreditar: ainda bastava que ela caminhasse ao lado.
Eles subiram uma colina e descobriram que tinham algo a dizer. Era dia de matar. Deixaram a noite cair sem que se ouvisse um só som. Começaram a escorregar.
O tempo correu, o dia acabou, os segredos estão lacrados.
Agora jogue a moeda, marque a hora, deixe chover. Não importa, o mundo acabou.
Mãos sempre são mistérios.
(Totalmente baseado em Jack and Jill - Katie Herzig)
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Parei
Decidi parar de pensar. Decidi parar de pensar e de falar. Depois ainda estabeleci metas: acordar mais cedo, comer mais cenoura, dar bom dia à vizinhança, ouvir menos Coldplay e tomar mais leite.
Chega de ficar imaginando como ele chegaria pra me dizer "e aí? tudo bem? eu te amo!"
Pra quem sempre preferiu voar, recolocar os pés no chão é uma dádiva. Preciso manter contato com a terra - só pra variar.
Penso que enquanto eu fico achando que o sorriso dele é tão lindo que poderia iluminar uma cidade inteira, eu poderia cuidar mais do meu.
Necessito desesperadamente de alegria. Ou melhor, alegria não: euforia! Quero voltar a ler, quero dar risada do sarcasmo do House, quero assistir "Casablanca" sem sentir que me falta algo, quero andar por aí no fim da tarde só porque assim eu me sinto mais parte do universo. Aliás, por que diabos eu não olho mais pros ipês da esquina de cima? Eu costumava fazer isso. O cheiro deles me lembra de como ter paz - e eu quero paz. Quero qualquer coisa que me faça voltar a dormir com aquele cansaço típico de quem foi feliz demais pra pensar em algo melhor depois que apoia a cabeça no travesseiro.
"Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito", aconselhou Maryan Keyes, uma santa.
Chega de ficar imaginando como ele chegaria pra me dizer "e aí? tudo bem? eu te amo!"
Pra quem sempre preferiu voar, recolocar os pés no chão é uma dádiva. Preciso manter contato com a terra - só pra variar.
Penso que enquanto eu fico achando que o sorriso dele é tão lindo que poderia iluminar uma cidade inteira, eu poderia cuidar mais do meu.
Necessito desesperadamente de alegria. Ou melhor, alegria não: euforia! Quero voltar a ler, quero dar risada do sarcasmo do House, quero assistir "Casablanca" sem sentir que me falta algo, quero andar por aí no fim da tarde só porque assim eu me sinto mais parte do universo. Aliás, por que diabos eu não olho mais pros ipês da esquina de cima? Eu costumava fazer isso. O cheiro deles me lembra de como ter paz - e eu quero paz. Quero qualquer coisa que me faça voltar a dormir com aquele cansaço típico de quem foi feliz demais pra pensar em algo melhor depois que apoia a cabeça no travesseiro.
"Supere isso e, se não puder superar, supere o vício de falar a respeito", aconselhou Maryan Keyes, uma santa.
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