quarta-feira, 3 de março de 2010

Diga a verdade, diga a verdade, diga a verdade


A vida tem me dado uns beliscões e chorar não faz o meu amargo parecer mais doce. Me sobram apenas cinco segundos todos os dias, e esses, somente esses, empresto pra tristeza. Como Claire Colburn diria: "Aproveite, desfrute, descarte". Eu só gostaria de ter uma maquina do tempo, como num desses filmes ruins de sessão da tarde, e voltar a ser criança outra vez. Até os meus doze anos as coisas passavam como um borrão, na minha infância nada era tão pessoal.
Minha professora de psicologia disse que o meu jeito "don't worry, be happy" de ser poderia me transformar numa panelinha de pressão, but... who cares? Isso só me faz pensar: reclamar, xingar os deuses, alterar o meu humor... Alguma dessas coisas pode me dar um pouco mais de paz?
Acho que essa sou eu. Os dias passam, os cigarros queimam, os problemas aparecem, os problemas se resolvem e chega o fim do mês. Faz tanto tempo desde a última vez que algo bom me fez tremer. O mundo é preto e branco e eu gosto é de rosa.
Queria ser como uma igreja. Grande, silenciosa e cheia de fé.
As coisas boas acontecem, não tenho dúvidas disso, mas sempre existe a espera. Entrei numa das grandes filas de espera, mas acredito que se a fila é grande, é porque é nela que se obtém as melhores coisas. Eu posso esperar um pouco mais pra ter o melhor, acho que mereço tudo isso. E se não mereço, por favor, Deus, me mostre um jeito de ser melhor. Afinal, se seguir em frente é não merecer, eu posso encontrar um meio de parar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Como salvar sua vida

1. Renuncie à culpa inútil;
2. Não faça do sofrimento um culto;
3. Viva no agora (ou pelo menos no logo);
4. Sempre faça as coisas que teme, o gosto pela coragem se adquire
como o do caviar;
5. Confie em toda alegria;
6. Quando o olhar maligno fitá-lo fixamente, olhe para outro lado;
7. Prepare-se para ter 87 anos.

Salve Sua Vida, Erica Mann Jong

domingo, 8 de novembro de 2009

Visages



Exposição: Eduardo Baggio. Fotos: Jéssica Carvalho.

sábado, 17 de outubro de 2009

"Junte as roupas e as canções
Que te vestem de você
Filmes, versos e os refrões
Que te fazem sempre estar bem"

Sabonetes.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

- Que é que houve? - perguntou-lhe.
- Nada - disse ela. - É só tristeza. Vem e vai.
- As mulheres estão sempre tristes - disse ele. - Às vezes com razão, às
vezes não. Nós, homens, ao contrário, nunca temos tempo para a tristeza.
- Não sabem o que estão perdendo.


(Tomás Eloy Martínez - O Vôo da Rainha)

sábado, 20 de junho de 2009

O cara dos dreads


É apenas mais um corpo em (im)perfeita distância. Desses que passam e só te notam caso a gravidade não contribua, caso o equilíbrio se perca, caso a voz se exalte. Mais um humano cheio de vida que circula todos os dias ao redor, sem nada declarar, apenas rondando, vivendo a própria vida. Protagonista da própria existência.

É alguém que se senta num banco e pensa no dia que você não presenciou e jamais nota a movimentação. Ou ignora. Às vezes sorri. É um par de olhos castanho-esperança, é uma voz que você desconhece, um futuro que você não toca.

Talvez seja um guardião de sonhos promíscuos, certezas impossíveis, crenças improváveis. Algo que impulsione o sorriso de cristal. Nada que se possa conhecer. Nada que movimente o mundo.

Mas é “só”.

Só o que você pede pra ter. Só o que te suga a atenção. Só o que a vida te dá com a certeza do roubo. Um desses roubos ao qual você cede porque jamais iria atrás do ladrão.

É só o que importa quando passa. É só e ainda assim é tudo. Só o seu tudo.

domingo, 14 de junho de 2009

Eu queria tomar o meu chá todas as tardes na tua varanda. Queria que o vento trouxesse os dias nublados pro céu. Essa chuva leva tudo pra longe, esse sol ferve o meu o coração.
Eu queria beber do teu vinho sem me embreagar. Queria amar a sobriedade. Queria racionalidade.
Eu queria dizer que o cheiro da madeira fria do quarto lá de cima me entorpece. Queria odiar essas coisas que dão vida e a gente sorri, sabe-se lá pra quê.
Eu queria que as minhas mãos fossem mais firmes, queria acertar o caminho, chegar em casa na hora que planejei.
Eu queria não sentir tanto as tuas pálpedras que se fecham na hora errada. Queria apenas não dizer. Queria usar você.