quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sempre gostei do que me causava dor. Se não doía, eu não sentia. Tinha que ter os olhos comprimidos e o peito dilatado. Tinha que ter noites em claro, cansaço, perdas, drama - qualquer coisa que doesse. Quem não conhece a dor não conhece o alívio. Não sabe como é bom sentir esperança sendo renovada. É assim nos melhores livros: mais dolorido, mais bonito. O ar que eu respiro, por exemplo, não me seria tão válido se um dia eu não tivesse chorado para obtê-lo.

Doeu. Mas se não dói, não vale a pena. Para mim, simplemente não vale a pena.

7 comentários:

Victor Canti disse...

este pensamento é algo que tb concordo, vivo isto naturalmente, é uma busca de renovação que vem com dor e alívio, são os extremos que fazem parte do cotidiano de quem "Vive de Verdade".
perfeito!!
bjs

Thais Michele Rosan disse...

Reclamamos da dor, do sofrimento, mas acho que não conseguriamos viver sem ela.
Pelo menos eu, não.
A dor faz parte do sentir, do viver!

e se não tiver a dor, realemente não vale a pena!
Beijos

Gaby Soncini disse...

Eu concordo plenamente.Parece que quando a gente diz a alguém que está com dor,sofrendo enfim,a pessoa nos olha como se fossemos de outro planeta,como se elas também não sentissem dor.

Eu sempre sinto dores,sempre sofro e nesse momento que lhe escrevo estou sentindo dor,e concordo plenamente que quem não a conhece não sabe a felicidade de se renovar depois dela.

Adorei o post,muito bem escrito.

Beijos.

Neo disse...

Impressionante esta idéia.
Simplesmente adorei.
E no final das contas a gente produz o que há de melhor é em meio a dor mesmo.
Inevitável né?


Beijo do Neo

Junkie careta disse...

Nossa Jéssica...

Que confessional, corajoso. Seria um atestado de masoquismo não fosse poesia de pulsos cortados.

Depois de tanta dor baby, não me incomoda que não doa. Até admito a presença dela, desde que não tenha certeza de que vou encontrá-la. Sempre doer já não me seduz. Tem que ter muito riso também.Acho que minha capacidade de renúncia vem diminuindo com o tempo.

João da Silva disse...

Adorei o choque de idéias! Você simplesmente brincou com os conceitos de síntese e antítese, de silogismos e sofismas, e me levou a uma viagem deliciosa pelo mundo das palavras e das metáforas.
Delícia! Amei!
Beijos carinhosos do João

Ana Rita disse...

"Consagras-me com respostas mudas,
Às bifurcações que te manifesto,
Mas que se decifram,
Por aí,
Nas laudas em branco,
De uma brochura já corroída,
Acorrentada à alucinação,
Neste cosmos de literaturas."

:) Beijos