Novo endereço: http://jesscarvalho.wordpress.com/
Bisou bisou.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
segunda-feira, 14 de março de 2011
Porque hoje é segunda...
E o meu coração está pesado. Sinto cansaço, agonia. Então penso no amigo da amiga, uma boa, psicologicamente perfeito para uma eu tão desesperada por atenção, transbordante. Depois tem o professor, a ex melhor amiga, o ex melhor amigo, o ex amor não consumado, um amor meio desistido e outro que nem cheguei a cogitar. Aí chega a solidão. Ninguém me vê. Faço um "olha pra mim" com as sobrancelhas, pareço desenho animado, sou meio criança sem doce. O vizinho até que era legal, mas agora tem outra. E aquele, o do passado, não é bem o que eu quero agora. Mas é o que tem pra hoje, não é? Assim como as amizades. Desgastadas, sem volta. E eu aqui, meio esquecida. Meio fora do mapa. Mas não estou. Queria estar. Abandonar tudo. O curso, a casa, as pessoas. Ser eu de novo, em outro espaço. Não dá. E se eu sentir falta? Dói. Assim, metaforicamente. Quem disse que essa dor é menos real?
É, eu preciso mesmo me focar em desenhar um coração com dois nós no Corel Draw.
terça-feira, 1 de março de 2011
Do you realize?
Depois de um ontem cheio de peliculas, lágrimas e risadas sem fim, acabei refletindo um pouco sobre a vida. Pensei em tanta coisa que nem sei como organizar isso tudo por aqui, mas acho conveniente começar dizendo que nada é por acaso. Não que seja intervenção divina, destino ou qualquer coisa desse tipo, acho que pode ser só consequência mesmo, mas se for acaso vou ter que ceder aos (supercafonas) integrantes do Teatro Mágico e sair cantando por aí que o mundo é perfeito - o que significa que agora não pode ser acaso de vez, gente. Pelo amor de Deus.
Veja bem, se você não tivesse se atrasado naquele dia, pego aquele ônibus, sentado naquela cadeira, deixado o isqueiro cair e o fone não estivesse alto o bastante a ponto de ele perceber que você estava ouvindo Phoenix enquanto juntava o seu isqueiro, você não teria conhecido uma das pessoas mais especiais da sua vida. E ainda tem mais: você poderia fechar a bolsa, esquecer o isqueiro, escorregar, cair e perder o ônibus, não fumar, não conhecer Phoenix, enfim. Mas não foi assim. Você conheceu uma pessoa porque estava naquele minuto, naquele espaço, fazendo aquilo, e agora ela é um dos amores da sua vida. Qual é a probabilidade de, no meio das 6 bilhões de pessoas existentes no planeta, você conhecer AQUELA pessoa duas vezes? Isso é alguma coisa, mas não é acaso.
Além disso, existe o fato de que certas coisas parecem acontecer apenas para que você finalmente tome uma certa atitude adiada. Por exemplo: hoje você cursa jornalismo e odeia, então todos os personagens de novelas e livros de auto ajuda do mundo parecem dizer que você precisa desistir do que não gosta. Se você for viajar hoje para a Malásia, vai ver um letreiro em Cantonês com desenhos que lembram uma pessoa desistindo. E assim também funciona com aquela pessoa que mesmo depois de todos os seus esforços simplesmente não se encaixa em você. E aí você pensa que, sei lá, não era pra ser, e não era mesmo, mas as coisas acontecem para que você veja isso. Parece que o mundo te manda mensagens, te dá de dedo na cara mesmo, e então você pode tentar, tentar, tentar e tentar outra vez: não vai dar. Se der, vai ser porque você desistiu de fazer dar certo e se acostumou com o errado, que dependendo do seu conceito sobre erro também pode ser o certo, mas isso não vem ao caso agora.
Outra coisa interessantíssima que eu pensei foi que a gente não se dá conta de que todas essas pessoas conhecidas milagrosamente que a gente passou a amar tanto, um dia vão morrer. Em 100 anos, estaremos todos mortos e as nossas histórias e oportunidades terão sumido conosco. Algumas obras ficarão, alguns nomes também, mas isso não significa nada quando não se tem mais corpo para desfrutar das maravilhas do mundo. E são muitas. Qualquer coisa que possa ser feita em vida vale a pena.
Acho que tudo isso significa que conhecer pessoas como conhecemos é uma dádiva, amá-las é outra e ter um cérebro capaz de criar estratégias para não errarmos perseguindo coisas que jamais funcionarão é outra. Então, citando sernvergonhamente Grey`s Anatomy, eu diria: "There's a point in your life when you get tired of fixing everything and trying to make everyone happy. When you finally decide to quit, it's NOT giving up. its realising you dont need certain people and the bullshit they bring in to your life. So love the people who treat you right, forget about the ones who don't, and believe that everything happens for a reason. If you get a chance, take it. If it changes your life, let it. Nobody said that it'd be easy, they just promised it would be worth it. Eventually feels a lot better than actually."
Pra ouvir lendo: http://www.youtube.com/watch?v=fk76rsV71S0
Veja bem, se você não tivesse se atrasado naquele dia, pego aquele ônibus, sentado naquela cadeira, deixado o isqueiro cair e o fone não estivesse alto o bastante a ponto de ele perceber que você estava ouvindo Phoenix enquanto juntava o seu isqueiro, você não teria conhecido uma das pessoas mais especiais da sua vida. E ainda tem mais: você poderia fechar a bolsa, esquecer o isqueiro, escorregar, cair e perder o ônibus, não fumar, não conhecer Phoenix, enfim. Mas não foi assim. Você conheceu uma pessoa porque estava naquele minuto, naquele espaço, fazendo aquilo, e agora ela é um dos amores da sua vida. Qual é a probabilidade de, no meio das 6 bilhões de pessoas existentes no planeta, você conhecer AQUELA pessoa duas vezes? Isso é alguma coisa, mas não é acaso.
Além disso, existe o fato de que certas coisas parecem acontecer apenas para que você finalmente tome uma certa atitude adiada. Por exemplo: hoje você cursa jornalismo e odeia, então todos os personagens de novelas e livros de auto ajuda do mundo parecem dizer que você precisa desistir do que não gosta. Se você for viajar hoje para a Malásia, vai ver um letreiro em Cantonês com desenhos que lembram uma pessoa desistindo. E assim também funciona com aquela pessoa que mesmo depois de todos os seus esforços simplesmente não se encaixa em você. E aí você pensa que, sei lá, não era pra ser, e não era mesmo, mas as coisas acontecem para que você veja isso. Parece que o mundo te manda mensagens, te dá de dedo na cara mesmo, e então você pode tentar, tentar, tentar e tentar outra vez: não vai dar. Se der, vai ser porque você desistiu de fazer dar certo e se acostumou com o errado, que dependendo do seu conceito sobre erro também pode ser o certo, mas isso não vem ao caso agora.
Outra coisa interessantíssima que eu pensei foi que a gente não se dá conta de que todas essas pessoas conhecidas milagrosamente que a gente passou a amar tanto, um dia vão morrer. Em 100 anos, estaremos todos mortos e as nossas histórias e oportunidades terão sumido conosco. Algumas obras ficarão, alguns nomes também, mas isso não significa nada quando não se tem mais corpo para desfrutar das maravilhas do mundo. E são muitas. Qualquer coisa que possa ser feita em vida vale a pena.
Acho que tudo isso significa que conhecer pessoas como conhecemos é uma dádiva, amá-las é outra e ter um cérebro capaz de criar estratégias para não errarmos perseguindo coisas que jamais funcionarão é outra. Então, citando sernvergonhamente Grey`s Anatomy, eu diria: "There's a point in your life when you get tired of fixing everything and trying to make everyone happy. When you finally decide to quit, it's NOT giving up. its realising you dont need certain people and the bullshit they bring in to your life. So love the people who treat you right, forget about the ones who don't, and believe that everything happens for a reason. If you get a chance, take it. If it changes your life, let it. Nobody said that it'd be easy, they just promised it would be worth it. Eventually feels a lot better than actually."
Pra ouvir lendo: http://www.youtube.com/watch?v=fk76rsV71S0
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Good girls don't cry
Eu costumava me machucar bastante durante a minha infância. Se considerarmos que eu era uma criança, isso é fica bem normal, mas eu ainda gosto de ressaltar que é coerente somar minha idade com o fato de que a minha cabeça vive na lua (desde sempre), e então os meus joelhos só podiam viver nas pedras.
Minha mãe, por sua vez, nunca foi de passar a mão na cabeça, e isso a rendeu várias críticas. De certo modo, eu acreditava que ela tinha uma espécie de intolerância à erros, o que me deixava bem irritada, porque, afinal, eles são humanos. Hoje, felizmente, vejo que ela fazia a coisa certa.
Me lembro dela pegando o Mertiolate, passando nos meus machucados e dizendo: "Tá doendo? É pra você aprender". E eu aprendi. Fiquei louca de raiva, mas, quando cai de bicicleta, não tentei mais andar; quando me queimei no fogão, deixei de chegar perto dele até alcançar uma idade razoável, etc. Sendo assim, fico grata. Não sinto que perdi na vida por abrir mão de certas coisas e vejo minha mãe como alguém que me protegia e curava enquanto ensinava o que era errado. Não como uma pessoa cruel.
Gostaria de ter começado a pensar assim antes, porque nem sempre pensei. Até uma certa altura, achei que havia sido negligenciada e que deveria cometer os mesmos erros várias vezes, afinal, tinha esse direito. E tenho, o que faz de mim uma completa imbecil, com o perdão da palavra. Eu sou uma daquelas pessoas que não deveriam ter escolha.
Meu maior problema sempre foi o ser humano (que derrete meu coração de manteiga). Basta um biquinho pra eu ceder. Simplesmente faço tudo por quem eu amo, desde que isso não vá me machucar fisicamente ou machucar outra pessoa que amo gravemente, e isso está bem errado.
Alguns anos atrás, no meio de uma D.R., ouvi a seguinte frase: "Cada escolha é uma renúncia". E quando eu me submeto a certas situações, acredito que estou renunciando minha dignidade, minha paz, meu orgulho e meu bom senso, porque ele é o único que já sabe o final e também sabe que eu me interesso pelos meios.
Mas hoje, só hoje, resolvi ouvir minha mãe e lembrar da frase citada na D.R. - e não foi só pra escrever sobre isso no blog, foi pra dizer que me escolhi. Renuncio à tudo que possa me fazer mal. Resolvi não persistir no erro, porque isso não vai fazer de mim uma super heroína, só vai machucar.
Então agora é assim. Tá doendo? Tá. Mas é pra eu aprender. Aprender a não me renunciar outra vez.
Minha mãe, por sua vez, nunca foi de passar a mão na cabeça, e isso a rendeu várias críticas. De certo modo, eu acreditava que ela tinha uma espécie de intolerância à erros, o que me deixava bem irritada, porque, afinal, eles são humanos. Hoje, felizmente, vejo que ela fazia a coisa certa.
Me lembro dela pegando o Mertiolate, passando nos meus machucados e dizendo: "Tá doendo? É pra você aprender". E eu aprendi. Fiquei louca de raiva, mas, quando cai de bicicleta, não tentei mais andar; quando me queimei no fogão, deixei de chegar perto dele até alcançar uma idade razoável, etc. Sendo assim, fico grata. Não sinto que perdi na vida por abrir mão de certas coisas e vejo minha mãe como alguém que me protegia e curava enquanto ensinava o que era errado. Não como uma pessoa cruel.
Gostaria de ter começado a pensar assim antes, porque nem sempre pensei. Até uma certa altura, achei que havia sido negligenciada e que deveria cometer os mesmos erros várias vezes, afinal, tinha esse direito. E tenho, o que faz de mim uma completa imbecil, com o perdão da palavra. Eu sou uma daquelas pessoas que não deveriam ter escolha.
Meu maior problema sempre foi o ser humano (que derrete meu coração de manteiga). Basta um biquinho pra eu ceder. Simplesmente faço tudo por quem eu amo, desde que isso não vá me machucar fisicamente ou machucar outra pessoa que amo gravemente, e isso está bem errado.
Alguns anos atrás, no meio de uma D.R., ouvi a seguinte frase: "Cada escolha é uma renúncia". E quando eu me submeto a certas situações, acredito que estou renunciando minha dignidade, minha paz, meu orgulho e meu bom senso, porque ele é o único que já sabe o final e também sabe que eu me interesso pelos meios.
Mas hoje, só hoje, resolvi ouvir minha mãe e lembrar da frase citada na D.R. - e não foi só pra escrever sobre isso no blog, foi pra dizer que me escolhi. Renuncio à tudo que possa me fazer mal. Resolvi não persistir no erro, porque isso não vai fazer de mim uma super heroína, só vai machucar.
Então agora é assim. Tá doendo? Tá. Mas é pra eu aprender. Aprender a não me renunciar outra vez.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Iaia, se eu peco é na vontade
Três fatos: Te perdi pelas gavetas bagunçadas da minha memória falha. Te procurei e só achei a nossa cor, a nossa frase e a nossa música. Esses recortes não te desenham mais.
Uma história póstuma: Dormi das 5 às 16 horas. Cada hora pareceu 24. Meu corpo, agoniado, me disse que não aguentava mais. Implorou por um pouco de claridade, água, comida, toque, mas desobedeci. Permaneci estática, pensando, pensando. Virei mente e coração. Pensei em você. Pensei na rua da tua casa, que não vejo há anos, e nas palavras que depositei no concreto. "Não me vejo passando por aqui sem ser ao teu lado", eu disse. Mas agora eu passo.
As nossas manias e dias compartilhados, no fim das contas, deixaram de existir. Viraram lembranças que, mais tarde, foram esquecidas, descartadas, mesmo sem propósito, afinal, somos seres humanos, tendemos ao esquecimento. O meu telefone nunca mais tocou anunciando o seu nome. Não passei mais pela estrada que desejei que fosse sempre até você. Parei de implorar para que o vento soprasse à nosso favor. Determinada, não pequei mais na vontade de ter uma amor de verdade. E então o vento parou.
Algumas reflexões: A gente diz que não sabe viver sem alguém, mas depois aprende. É de lei.
E aí ousa deixar doer.
Acha errado, porque deveria ser para sempre e não foi.
Mas o que há de tão mau assim?
Uma história póstuma: Dormi das 5 às 16 horas. Cada hora pareceu 24. Meu corpo, agoniado, me disse que não aguentava mais. Implorou por um pouco de claridade, água, comida, toque, mas desobedeci. Permaneci estática, pensando, pensando. Virei mente e coração. Pensei em você. Pensei na rua da tua casa, que não vejo há anos, e nas palavras que depositei no concreto. "Não me vejo passando por aqui sem ser ao teu lado", eu disse. Mas agora eu passo.
As nossas manias e dias compartilhados, no fim das contas, deixaram de existir. Viraram lembranças que, mais tarde, foram esquecidas, descartadas, mesmo sem propósito, afinal, somos seres humanos, tendemos ao esquecimento. O meu telefone nunca mais tocou anunciando o seu nome. Não passei mais pela estrada que desejei que fosse sempre até você. Parei de implorar para que o vento soprasse à nosso favor. Determinada, não pequei mais na vontade de ter uma amor de verdade. E então o vento parou.
Algumas reflexões: A gente diz que não sabe viver sem alguém, mas depois aprende. É de lei.
E aí ousa deixar doer.
Acha errado, porque deveria ser para sempre e não foi.
Mas o que há de tão mau assim?
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Doce
Citei Los Hermanos na tua geladeira. Escrevi sobre a minha indiferença calculada que implora por atenção, terminei com "deixa estar" e usei os imãs de coração que comprei naquela feira de domingo para pendurar o pedaço de papel. Foi premeditado. Queria deixar uma marca, me largar pela tua casa, te fazer acreditar em mim todas as vezes que resolvesse tomar um pouco do sorvete melado que já está há uns 45 dias no seu congelador.
Na semana seguinte, nos citei em uma redação qualquer. Nos banalizei, eu sei. Falei sobre recomeços, nosso assunto predileto. Contei, impulsivamente, que não acreditávamos neles, que cortamos a segunda-feira e o primeiro dia do ano do nosso calendário porque o nosso tempo é uma coisa só - e, segundo você, ainda há muito tempo para nós.
Tive que ler em voz alta. Acharam a maior besteira. "Pura pieguice", ouvi.
Deixei estar. Só eu sei: você é ainda mais doce que o teu sorvete abandonado.
Na semana seguinte, nos citei em uma redação qualquer. Nos banalizei, eu sei. Falei sobre recomeços, nosso assunto predileto. Contei, impulsivamente, que não acreditávamos neles, que cortamos a segunda-feira e o primeiro dia do ano do nosso calendário porque o nosso tempo é uma coisa só - e, segundo você, ainda há muito tempo para nós.
Tive que ler em voz alta. Acharam a maior besteira. "Pura pieguice", ouvi.
Deixei estar. Só eu sei: você é ainda mais doce que o teu sorvete abandonado.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Por um fevereiro melhor
Para o único que pode melhorar meu mês.
"Você não entende", minha memória falha resolveu me devolver esse momento. Essa foi a frase que te fez desligar o telefone permanentemente, não responder emails e dar ordens à nova secretária, dizendo que não quer saber de mim, não é?
Mas eu, tentando como louca, continuei mandando todas aquelas mensagens sem efeito. "O que eu fiz?". "Sinto muito". "Mesmo". "Me liga". Agora até me sinto um pouco envergonhada.
Você não retornou e acho que já te entendi. Mas olha, só pra você saber, não vou cansar de me explicar e acho que eventualmente você poderia tentar fazer o mesmo. É que eu realmente acredito que nós não precisamos de amor. Você diz que precisa, mas acho que deveria pensar melhor sobre isso. Eu sequer entendo o conceito dessa palavra. Mas, apesar disso, acredito em nós. Não de um jeito moderno, descompromissado, mas de qualquer jeito que sacie essa minha vontade de ficar perto, junto, dentro. De ter a quem ligar, de ter alguém pra atender.
Então se você quiser voltar, eu te deixo ditar as regras. Tudo pra me livrar dessa dor - quase física - que acompanha a falta dos teus beijos assinando o "bom dia" rabiscado duas vezes por semana no meu espelho embaçado. Considere. A chave ainda é a mesma, assim como a vontade de ligar o teu chuveiro e me molhar de você.
Promessas: continuar rindo dos seus vizinhos, como você tanto gosta, e do mundo dos outros também.
Exigência: me deixar te mostrar o meu.
Beijos.
P.S.: Não gostei da nova secretária.
"Você não entende", minha memória falha resolveu me devolver esse momento. Essa foi a frase que te fez desligar o telefone permanentemente, não responder emails e dar ordens à nova secretária, dizendo que não quer saber de mim, não é?
Mas eu, tentando como louca, continuei mandando todas aquelas mensagens sem efeito. "O que eu fiz?". "Sinto muito". "Mesmo". "Me liga". Agora até me sinto um pouco envergonhada.
Você não retornou e acho que já te entendi. Mas olha, só pra você saber, não vou cansar de me explicar e acho que eventualmente você poderia tentar fazer o mesmo. É que eu realmente acredito que nós não precisamos de amor. Você diz que precisa, mas acho que deveria pensar melhor sobre isso. Eu sequer entendo o conceito dessa palavra. Mas, apesar disso, acredito em nós. Não de um jeito moderno, descompromissado, mas de qualquer jeito que sacie essa minha vontade de ficar perto, junto, dentro. De ter a quem ligar, de ter alguém pra atender.
Então se você quiser voltar, eu te deixo ditar as regras. Tudo pra me livrar dessa dor - quase física - que acompanha a falta dos teus beijos assinando o "bom dia" rabiscado duas vezes por semana no meu espelho embaçado. Considere. A chave ainda é a mesma, assim como a vontade de ligar o teu chuveiro e me molhar de você.
Promessas: continuar rindo dos seus vizinhos, como você tanto gosta, e do mundo dos outros também.
Exigência: me deixar te mostrar o meu.
Beijos.
P.S.: Não gostei da nova secretária.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
16:11. Pensei em te ligar pra dizer que a minha tarde está um tédio sem você. Ainda bem que não tenho o seu número, porque essa seria uma coisa bem boba de se dizer.
16:36. Escrevi um email. Te convidei pra ir ao cinema, tomar café, vinho, martini, banho, chuva, andar por aí, falar muito, falar nada, dançar alguma coisa lenta pra embalar essa sexta saudosista.
16:42. Salvei na caixa de rascunhos.
16:47. Começou a chover. Achei que você não ia querer ou ia querer demais. Coloquei as mãos e o coração no bolso.
17:52. Te imaginei me encontrando na escada, na rua, na calçada, esbarrando e dizendo oi.
18:00. Te dei meu número. Você ligou.
18:45. Combinamos de ver o meu tédio passar na tela de uma sala de cinema qualquer.
20:12. Deixa estar.
22:22. Ainda bem que eu não tinha o seu número.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Bilhete Virtual
Amizade a gente não agradece
ou
Por um pouco mais de você em mim
ou
Se oriente
Então, olha só, eu sei que você está dormindo como uma adolescente, com os joelhos flexionados, e só faz 40 minutos, mas eu queria te dizer que você me dá vontade de ouvir. Ainda hoje, que por acontecer antes do café da manhã eu chamaria de ontem, tive certeza disso. Me ausentei de mim por dez horas. Tive uma overdose de você. E se você quer saber, não há nada que possa fazer meus olhos, agora cheios de areia, mais felizes. Tenho duas poças roxas de felicidade, o que me leva a crer que o nosso mundo é cor-de-rosa outra vez.
Agora estou indo pro trabalho e está chovendo. Vou te deixar dormir porque estou tentando ser altruísta como você. Aliás, acho que de hoje em diante, só pra variar, eu vou começar a acreditar integralmente em você. Chega de Nietzsche.
Então é isso. Em breve a sua mãe vai me emprestar um guarda-chuva enquanto pergunta sobre a minha vida. Eu, tomando café preto, vou dizer que está tudo bem. Sim, eu, desesperada por atenção, mimada, por tantas vezes irracional, direi que está tudo bem. Então obrigada por me deixar assim, meio fora do meu ego. Agora está tudo bem. E me prometa uma coisa: nunca deixe de acreditar que está tudo bem com você também. Do seu jeito bagunçado e otimista, seja feliz. Em troca eu prometo não tirar mais a tua felicidade da minha vida, muito menos trocá-la por um pouco de inteligência arrogante.
P.S.: Você estava certa. Eu mereço melhor.
P.P.S.: Eu estou certa. Mereço mais de você.
P.P.P.S: Obrigada por me deixar entrar.
P.P.P.P.S.: Não caia do beliche.
Bom dia, B.
ou
Por um pouco mais de você em mim
ou
Se oriente
Então, olha só, eu sei que você está dormindo como uma adolescente, com os joelhos flexionados, e só faz 40 minutos, mas eu queria te dizer que você me dá vontade de ouvir. Ainda hoje, que por acontecer antes do café da manhã eu chamaria de ontem, tive certeza disso. Me ausentei de mim por dez horas. Tive uma overdose de você. E se você quer saber, não há nada que possa fazer meus olhos, agora cheios de areia, mais felizes. Tenho duas poças roxas de felicidade, o que me leva a crer que o nosso mundo é cor-de-rosa outra vez.
Agora estou indo pro trabalho e está chovendo. Vou te deixar dormir porque estou tentando ser altruísta como você. Aliás, acho que de hoje em diante, só pra variar, eu vou começar a acreditar integralmente em você. Chega de Nietzsche.
Então é isso. Em breve a sua mãe vai me emprestar um guarda-chuva enquanto pergunta sobre a minha vida. Eu, tomando café preto, vou dizer que está tudo bem. Sim, eu, desesperada por atenção, mimada, por tantas vezes irracional, direi que está tudo bem. Então obrigada por me deixar assim, meio fora do meu ego. Agora está tudo bem. E me prometa uma coisa: nunca deixe de acreditar que está tudo bem com você também. Do seu jeito bagunçado e otimista, seja feliz. Em troca eu prometo não tirar mais a tua felicidade da minha vida, muito menos trocá-la por um pouco de inteligência arrogante.
P.S.: Você estava certa. Eu mereço melhor.
P.P.S.: Eu estou certa. Mereço mais de você.
P.P.P.S: Obrigada por me deixar entrar.
P.P.P.P.S.: Não caia do beliche.
Bom dia, B.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Detalhes
Só percebi que ele ficava bem de suéter caramelo onze meses depois, quando entrei num táxi e ouvi aquela música no rádio. Se você procura por um nome, acredite: eu jamais seria capaz de reproduzi-la e certamente não a encontraria em nenhum dos meus CDs, mas já havia ouvido milhares de vezes. E então, de uma hora pra outra, meu mundo era um filme antigo.
Comecei a me lembrar de coisas que pareciam pertencer à outra vida. Pequenas memórias apareciam e eram interrompidas por novas memórias ansiosas. Minha mente sempre fora indomável. A unica lembrança capaz de roubar o meu foco foi a da mulher traída que conheci na fila do banco. Sua história era triste, pois ela sempre voltava para o marido. Em meio à tapas e infidelidade, ela sempre voltava. E eu, que jamais fui capaz de compreendê-la, questionei e recebi uma resposta dolorosa: o marido ficava mais branquinho quando saía do banho.
É simplesmente assim. São os detalhes. Numa noite eu estava lá, a vida parecia bela, algum cara sentou ao meu lado no bar e pediu meu telefone. Na noite seguinte eu estava saindo do trabalho mais tarde e cansada do que gostaria, então comecei a sentir falta de algo que parecia estar acabado e terminei me lembrando de detalhes que sequer sabia carregar comigo, sentada em um táxi do qual não gravaria nenhum detalhe.
Comecei a me lembrar de coisas que pareciam pertencer à outra vida. Pequenas memórias apareciam e eram interrompidas por novas memórias ansiosas. Minha mente sempre fora indomável. A unica lembrança capaz de roubar o meu foco foi a da mulher traída que conheci na fila do banco. Sua história era triste, pois ela sempre voltava para o marido. Em meio à tapas e infidelidade, ela sempre voltava. E eu, que jamais fui capaz de compreendê-la, questionei e recebi uma resposta dolorosa: o marido ficava mais branquinho quando saía do banho.
É simplesmente assim. São os detalhes. Numa noite eu estava lá, a vida parecia bela, algum cara sentou ao meu lado no bar e pediu meu telefone. Na noite seguinte eu estava saindo do trabalho mais tarde e cansada do que gostaria, então comecei a sentir falta de algo que parecia estar acabado e terminei me lembrando de detalhes que sequer sabia carregar comigo, sentada em um táxi do qual não gravaria nenhum detalhe.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Happy new year!
Comecei 2010 lendo um dos livros da minha vida. Hoje falam dele como se falassem de auto ajuda clichê, mas ele nunca vai sair de mim. O título é "Comer, Rezar, Amar", e esse livro tem uma parte muito interessante que fala sobre cada pessoa/cidade ter a sua própria palavra. Eu bem que tentei inovar e dar uma palavra pra 2010 também, mas descobri que cada dia de 2010 tem uma palavra e que o máximo que eu posso fazer é dizer que 2010 foi pura felicidade. Comi. Me alimentei de sorrisos e de vida. Isso nunca mais me faltará. Amém. Rezei vivendo e acreditando que cada suspiro meu pode ser uma prece. Um agradecimento a Deus, porque ele sempre foi muito bom comigo. Me deu uma família cheia de erros e acertos que nunca me abandona, um sorriso que eu não me canso de abrir, amigos que eu nem tenho palavras pra descrever, duas sobrinhas maravilhosas que são absolutamente amáveis e cheias de vida, um afilhado que está a caminho e que vai chegar à esse mundo com saúde e amor pra dar e vender, o ar que eu respiro, os braços que eu uso pra abraçar o mundo, a minha inteligência e o meu dom de ver muito no pouco. E é por isso que todo ano é o melhor ano da minha vida. Porque só de ouvir um "eu te amo", tenho um ano feito. Aí entra a parte do amar. E amar uma grande quantidade de coisas e pessoas, diga-se de passagem. Mesmo que 2010 não tenha sido o ano do amor maior. Mas esse pode vir em 2011, 2012, 2013... Eu tenho tempo. Afinal, eu não posso reclamar. Sou uma bagunça. Como diz a Cami, eu estou esperando por um príncipe porque não fui feita para os sapos, assim como estou esperando por um sapo porque não fui feita para os príncipes. E um dia o meu nem-sapo-nem-príncipe vai aparecer. Mas até lá, que a felicidade seja minha. E depois disso, que a felicidade seja minha e nossa.
Enfim... 2010, obrigada por me fazer feliz. 2011, seja bem vindo. Te regarei com muita felicidade e amor.

P.S.: 2011, você pode ajudar o Grêmio a nos trazer a América outra vez? E o mundo? Obrigada.
Enfim... 2010, obrigada por me fazer feliz. 2011, seja bem vindo. Te regarei com muita felicidade e amor.

P.S.: 2011, você pode ajudar o Grêmio a nos trazer a América outra vez? E o mundo? Obrigada.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Jéss loves the classics
Porque pinheirinhos de natal sempre serão mágicos, assim como a saga Harry Potter. Porque chuva nunca deixará de lavar a alma, assim como cobertas e filmes sempre combinarão com frio. Porque preto sempre parecerá emagrecer quem o usa uns cinco quilos, assim como chocolate nunca deixará de consertar corações por alguns minutos. Porque nunca existirá uma cena tão genial para ilustrar a passagem do tempo quanto aquela de Notting Hill, onde toca "Ain't No Sunshine", assim como eu nunca deixarei de fazer tudo errado (e de rir disso no final).
C'est La Vie.
C'est La Vie.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Para ninguém, sobre você
Na minha opinião, estou escrevendo para ninguém. É assim que penso. Caso pensasse de outra forma, me frustraria.
Que fique claro: Minha intenção não é a de negar a existência do pronome de segunda pessoa que paira sobre minhas linhas, mas é que quando digo que escrevo para ninguém, firmo meu descompromisso.
Não escrevo para você, embora seja sobre você. Não escrevo para mim, embora seja sobre mim. De mim sei bem. Não há a necessidade de me colocar por escrito. E você... bem, seus olhos desatentos jamais se dariam conta de que escrevo para você, caso o fizesse. Então prefiro não fazê-lo. Deixo tudo solto, sem destinatário.
Escrevo só por escrever.
Mas se em algum momento você se der conta de que minhas letras têm seu rosto, não deixe de dobrá-las quatro vezes e colocá-las no bolso da camisa, porque assim elas ficam mais perto do teu peito. E se a noite, quando o silêncio tomar conta do teu corpo, elas começarem a ecoar sozinhas, sem propósito, espero que sejam doces. Foi assim que as fiz. Com a doçura de alguém que trabalhou tanto, mas ao fim do dia só pensou em você. Enquanto tomava um banho quente, assistia ao telejornal, se debruçava sobre o livro de cabeceira ou checava os emails: só pensou em você. E a cada vez que pensava, acendia estrelas dentro de si. Douradas, azuis e amarelas. Pontos brilhantes que iluminaram o corpo e - depois de muito tempo - o coração.
Que fique claro: Minha intenção não é a de negar a existência do pronome de segunda pessoa que paira sobre minhas linhas, mas é que quando digo que escrevo para ninguém, firmo meu descompromisso.
Não escrevo para você, embora seja sobre você. Não escrevo para mim, embora seja sobre mim. De mim sei bem. Não há a necessidade de me colocar por escrito. E você... bem, seus olhos desatentos jamais se dariam conta de que escrevo para você, caso o fizesse. Então prefiro não fazê-lo. Deixo tudo solto, sem destinatário.
Escrevo só por escrever.
Mas se em algum momento você se der conta de que minhas letras têm seu rosto, não deixe de dobrá-las quatro vezes e colocá-las no bolso da camisa, porque assim elas ficam mais perto do teu peito. E se a noite, quando o silêncio tomar conta do teu corpo, elas começarem a ecoar sozinhas, sem propósito, espero que sejam doces. Foi assim que as fiz. Com a doçura de alguém que trabalhou tanto, mas ao fim do dia só pensou em você. Enquanto tomava um banho quente, assistia ao telejornal, se debruçava sobre o livro de cabeceira ou checava os emails: só pensou em você. E a cada vez que pensava, acendia estrelas dentro de si. Douradas, azuis e amarelas. Pontos brilhantes que iluminaram o corpo e - depois de muito tempo - o coração.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Boa noite, boa viagem
Há um tempo atrás eu fui levar o meu contrato na faculdade. Cheguei no escritório estranho da Central de Carreiras e a menina mais simpática do mundo me atendeu. Ela disse que eu podia pegar o tal contrato em três dias úteis, mas precisava levar uma declaração da coordenadora do curso para retirá-lo.
Agora já faz três semanas desde que eu levei o contrato na UP - e eu nunca mais o vi. Até peguei a declaração, mas tomei chuva com ela (sim, eu sou um prodígio), que ficou toda amassada, e aí eu resolvi adiar o dia de pegar o contrato.
Com a declaração eu já tentei de tudo. Passei ferro, coloquei no meio de um livro super pesado, tirei xerox, pensei em pedir outra... Tudo! Mas nada dá certo. Não desamassa e eu não posso mais adiar. Não dá pra esperar. Tem que ser amanhã.
E o que eu quero dizer com tudo isso é que eu acho que você é a minha declaração personificada. Eu, com a minha mania de perfeição, não sei te aceitar. Não sei não pensar que você vive em outro mundo, que está amassado, do outro lado da rua ou qualquer coisa parecida. Já não sei mais nem que metáfora usar. E esse é o problema. Você me rouba até as palavras. Eu queria escrever alguma coisa que te fizesse deixar de ser tão... você. Queria te pedir pra gostar de mim ou simplesmente te desejar uma boa noite e uma boa viagem, mas quando eu abro a droga do editor de textos, sai um texto que começa com "Há um tempo atrás eu fui levar o meu contrato na faculdade". Dá pra ser mais deprimente?
Agora já faz três semanas desde que eu levei o contrato na UP - e eu nunca mais o vi. Até peguei a declaração, mas tomei chuva com ela (sim, eu sou um prodígio), que ficou toda amassada, e aí eu resolvi adiar o dia de pegar o contrato.
Com a declaração eu já tentei de tudo. Passei ferro, coloquei no meio de um livro super pesado, tirei xerox, pensei em pedir outra... Tudo! Mas nada dá certo. Não desamassa e eu não posso mais adiar. Não dá pra esperar. Tem que ser amanhã.
E o que eu quero dizer com tudo isso é que eu acho que você é a minha declaração personificada. Eu, com a minha mania de perfeição, não sei te aceitar. Não sei não pensar que você vive em outro mundo, que está amassado, do outro lado da rua ou qualquer coisa parecida. Já não sei mais nem que metáfora usar. E esse é o problema. Você me rouba até as palavras. Eu queria escrever alguma coisa que te fizesse deixar de ser tão... você. Queria te pedir pra gostar de mim ou simplesmente te desejar uma boa noite e uma boa viagem, mas quando eu abro a droga do editor de textos, sai um texto que começa com "Há um tempo atrás eu fui levar o meu contrato na faculdade". Dá pra ser mais deprimente?
domingo, 12 de dezembro de 2010
Com açúcar, com afeto
Ela abaixa o volume da voz e adocica os olhos. Deixa o ambiente sereno antes de dizer que você não é pra mim. E diz assim, com um jeitinho de quem quer cuidar. De quem sente o tal do amor que se traduz em palavras. Com açúcar, com afeto.
Eu, de cabeça baixa, finjo que não estou contrariada. Digo que faz sentido. E o que não faz sentido é a minha teimosia. A minha vontade de desobedecer as leis da natureza, a lógica e a razão. Meu jeito de acreditar que o mundo não tem fim. De ligar mil vezes sabendo que não vou ser atendida. De empurrar aquele bidê que não sai do lugar. De não estudar para a prova mais importante do semestre.
Minha mania de acreditar em contos de fada e de apostar em que algum caminho torto me leva pra você.
Mas isso realmente não faz o menor sentido.
Eu, de cabeça baixa, finjo que não estou contrariada. Digo que faz sentido. E o que não faz sentido é a minha teimosia. A minha vontade de desobedecer as leis da natureza, a lógica e a razão. Meu jeito de acreditar que o mundo não tem fim. De ligar mil vezes sabendo que não vou ser atendida. De empurrar aquele bidê que não sai do lugar. De não estudar para a prova mais importante do semestre.
Minha mania de acreditar em contos de fada e de apostar em que algum caminho torto me leva pra você.
Mas isso realmente não faz o menor sentido.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Porque hoje é sexta...
E o mundo está muito mais bonito!
"Amo a musica, acredito na melhoria do planeta, confio em que nem tudo está perdido, creio na bondade do ser humano e intuo que a loucura é fundamental. Agora só me faltam carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim.
Viver é ótimo."
Elis Regina
"Amo a musica, acredito na melhoria do planeta, confio em que nem tudo está perdido, creio na bondade do ser humano e intuo que a loucura é fundamental. Agora só me faltam carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim.
Viver é ótimo."
Elis Regina
domingo, 14 de novembro de 2010
Pensando alto
Faz tanto tempo que eu não escrevo alguma coisa exclusivamente pra postar no blog... Até pensei em escrever uma crônica ou um conto, mas o fato é que eu não quero escrever algo poético, mascarado. Eu quero escrever sobre mim, sobre a vida, sobre as pessoas que eu amo... Enfim, sobre o que eu sinto (sem entrelinhas). Hoje não é um bom dia pra roubar ou inventar vidas.
Sexta-feira foi meu aniversário e, pela primeira vez, eu senti que tudo estava no seu devido lugar em um dia de aniversário. Ouvi tantas coisas doces, que eu tenho certeza que vieram do fundo de alguns corações por aí, e até fiquei impressionada com a impressão que algumas pessoas têm de mim. Me senti verdadeiramente eu. Transparente, entregue. Como se eu me olhasse no espelho e visse exatamente o que muita gente vê.
Além disso, me senti plenamente feliz por conseguir olhar para pequenas coisas e ver grandes coisas. Se há dois anos eu teria ficado triste por não receber o abraço que sonhei de uma pessoa específica, sexta fiquei feliz porque outra pessoa, que eu nem sonhava gostar tanto de mim, me abraçou com muita devoção. Eu acho que tenho mais pessoas legais na minha vida do que consigo perceber.
Aliás, ainda na sexta, eu tive uma conversa muito boa com a Nicole, que tem sido o meu sol. Ela estava falando sobre o quanto a gente ama as pessoas e não deixa elas saberem. E é verdade. Eu amo tanto a minha vida e todas as pessoas que fazem ela ser melhor, e eu não falo isso sempre. Ou melhor, algumas pessoas nunca ouviram isso de mim. Então vale a dica: se você me faz sorrir e eu te dou alguma atenção, há uma grande probabilidade de eu amar você (leia isso, mãe! hahaha). E se você já ouviu alguma reclamação minha sobre a sua falta de atenção, aí a probabilidade é bem maior.
Enfim, acho que eu só queria escrever isso. Eu amo a minha vida, ela é linda e esse ano eu conheci e reconheci muita gente especial. Portanto, aí vai o meu agradecimento, Deus, porque eu sei que tudo tem o seu dedo. E o outro agradecimento vai para as pessoas da minha vida, ipês, gatos e limões. Essas coisas fazem a minha existência fazer algum sentido.
Sexta-feira foi meu aniversário e, pela primeira vez, eu senti que tudo estava no seu devido lugar em um dia de aniversário. Ouvi tantas coisas doces, que eu tenho certeza que vieram do fundo de alguns corações por aí, e até fiquei impressionada com a impressão que algumas pessoas têm de mim. Me senti verdadeiramente eu. Transparente, entregue. Como se eu me olhasse no espelho e visse exatamente o que muita gente vê.
Além disso, me senti plenamente feliz por conseguir olhar para pequenas coisas e ver grandes coisas. Se há dois anos eu teria ficado triste por não receber o abraço que sonhei de uma pessoa específica, sexta fiquei feliz porque outra pessoa, que eu nem sonhava gostar tanto de mim, me abraçou com muita devoção. Eu acho que tenho mais pessoas legais na minha vida do que consigo perceber.
Aliás, ainda na sexta, eu tive uma conversa muito boa com a Nicole, que tem sido o meu sol. Ela estava falando sobre o quanto a gente ama as pessoas e não deixa elas saberem. E é verdade. Eu amo tanto a minha vida e todas as pessoas que fazem ela ser melhor, e eu não falo isso sempre. Ou melhor, algumas pessoas nunca ouviram isso de mim. Então vale a dica: se você me faz sorrir e eu te dou alguma atenção, há uma grande probabilidade de eu amar você (leia isso, mãe! hahaha). E se você já ouviu alguma reclamação minha sobre a sua falta de atenção, aí a probabilidade é bem maior.
Enfim, acho que eu só queria escrever isso. Eu amo a minha vida, ela é linda e esse ano eu conheci e reconheci muita gente especial. Portanto, aí vai o meu agradecimento, Deus, porque eu sei que tudo tem o seu dedo. E o outro agradecimento vai para as pessoas da minha vida, ipês, gatos e limões. Essas coisas fazem a minha existência fazer algum sentido.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Eu não traio
Infidelidade, disse ele. Fiquei meio assustada. Como assim, Infidelidade? Aquele filme me enche de tédio, como a maioria dos filmes que têm o Richard Gere. Não pode. Dá pra gostar de Flashdance, Lolita, Embalos de Sábado à Noite... Sei lá, qualquer coisa, menos Infidelidade. Mas ele não mudou de ideia, então era isso. Eu estava namorando o cara que gosta de “Infidelidade”.
Prometi assistir de novo e procurar mais sobre o filme no google. Resolvi procurar no google primeiro. Cheguei em casa, abri o notebook e comecei a digitar. Google.com. Enter. Infidelidade. Enter. 540.000 resultados. Na primeira página, artigos psicológicos, uma música interpretada por Caetano Veloso e uma pesquisa curiosa. Do Caetano, eu só gosto de Nosso Estranho Amor. É a música tema de Romance, aquele filme que tem o Wagner Moura. Aquele sim é filme de verdade. Infidelidade nem aparece na primeira página da busca. Mas voltando aos resultados, resolvi ficar com a pesquisa curiosa mesmo.
A pesquisa dizia que os brasileiros são os mais promíscuos e infiéis da América Latina. E por “brasileiros” entenda “brasileiras” também. Que absurdo. Eu nunca pulei a cerca. Minha mãe sempre diz que a gente pode trair até por pensamento, mas eu nem penso nessas coisas. Meu namorado tem um gosto bem ruim, mas é ótimo. Enfim, google me deu fome. Maldita publicidade. Fui à padaria.
No caminho, vi uma menininha birrenta. Ela não tinha os dois dentes da frente e queria um pirulito que vira numa vitrine. A mãe não tinha o dinheiro, pelo jeito. Menina mimada. E depois ainda falam de “lei da palmada”. Me poupe. Em seguida, vi um velho de boina fumando. Ele estava se achando muito francês e o cigarro era um Derby. Andei mais uns passos e vi a vizinha loira do 401. Essa sim tem fama. Dizem que o marido já nem passa mais pela porta por causa dos “galhos”. Ainda bem que eu não traio e nem penso nisso. Quase chegando à padaria, vi um loiro bonito que carregava um Labrador pela calçada. Parecia simpático. Cheguei a parar pra acariciar o cachorro. Pensei em ter um cachorro também, assim nossos cachorros começariam a brincar e nós teríamos que nos olhar e sorrir meio sem graça. Com sorte, a regata dele pararia no meu chão depois disso. Ô, lá em casa. Foi então que ele me deu uma piscadinha. Ai, credo. Ainda bem que eu não traio. Nem penso nessas coisas.
[Aulas sobre crônicas podem ser produtivas. Ou não.]
Prometi assistir de novo e procurar mais sobre o filme no google. Resolvi procurar no google primeiro. Cheguei em casa, abri o notebook e comecei a digitar. Google.com. Enter. Infidelidade. Enter. 540.000 resultados. Na primeira página, artigos psicológicos, uma música interpretada por Caetano Veloso e uma pesquisa curiosa. Do Caetano, eu só gosto de Nosso Estranho Amor. É a música tema de Romance, aquele filme que tem o Wagner Moura. Aquele sim é filme de verdade. Infidelidade nem aparece na primeira página da busca. Mas voltando aos resultados, resolvi ficar com a pesquisa curiosa mesmo.
A pesquisa dizia que os brasileiros são os mais promíscuos e infiéis da América Latina. E por “brasileiros” entenda “brasileiras” também. Que absurdo. Eu nunca pulei a cerca. Minha mãe sempre diz que a gente pode trair até por pensamento, mas eu nem penso nessas coisas. Meu namorado tem um gosto bem ruim, mas é ótimo. Enfim, google me deu fome. Maldita publicidade. Fui à padaria.
No caminho, vi uma menininha birrenta. Ela não tinha os dois dentes da frente e queria um pirulito que vira numa vitrine. A mãe não tinha o dinheiro, pelo jeito. Menina mimada. E depois ainda falam de “lei da palmada”. Me poupe. Em seguida, vi um velho de boina fumando. Ele estava se achando muito francês e o cigarro era um Derby. Andei mais uns passos e vi a vizinha loira do 401. Essa sim tem fama. Dizem que o marido já nem passa mais pela porta por causa dos “galhos”. Ainda bem que eu não traio e nem penso nisso. Quase chegando à padaria, vi um loiro bonito que carregava um Labrador pela calçada. Parecia simpático. Cheguei a parar pra acariciar o cachorro. Pensei em ter um cachorro também, assim nossos cachorros começariam a brincar e nós teríamos que nos olhar e sorrir meio sem graça. Com sorte, a regata dele pararia no meu chão depois disso. Ô, lá em casa. Foi então que ele me deu uma piscadinha. Ai, credo. Ainda bem que eu não traio. Nem penso nessas coisas.
[Aulas sobre crônicas podem ser produtivas. Ou não.]
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